Em resumo: Santa Sofia (Ayasofya, em turco) é a grande basílica que o imperador Justiniano construiu em Constantinopla entre 532 e 537. Foi a principal igreja da cristandade oriental por quase mil anos, mesquita desde a conquista otomana de 1453, museu a partir de 1935 e, desde julho de 2020, voltou a ser mesquita. Em 2026, os visitantes estrangeiros pagam € 25 para percorrer a galeria superior, onde ficam os grandes mosaicos bizantinos; para rezar, a entrada no térreo é gratuita.
Santa Sofia é, ao lado da Mesquita Azul, o grande símbolo de Istambul e um dos edifícios mais importantes da história da arquitetura. Em quase 1.500 anos, ela já foi basílica ortodoxa, catedral católica, mesquita otomana, museu e, de novo, mesquita. Neste guia, contamos a sua história, o que ver lá dentro e como visitá-la em 2026.
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O que é Santa Sofia? De igreja a mesquita
Santa Sofia (em grego, Hagia Sophia, “Santa Sabedoria”; em turco, Ayasofya) não é dedicada a nenhuma santa chamada Sofia, e sim à Sabedoria divina. Foi construída como basílica da Igreja ortodoxa, foi a catedral do patriarca de Constantinopla, e era nela que os imperadores bizantinos eram coroados.
Depois da conquista otomana de 1453, tornou-se mesquita; entre 1935 e 2020 funcionou como museu e, em julho de 2020, voltou a ser aberta ao culto islâmico com o nome oficial de Ayasofya-i Kebir Camii-i Şerifi (Grande Mesquita de Santa Sofia). Por isso, embora muita gente ainda a procure como “igreja de Santa Sofia”, hoje ela é uma mesquita que também pode ser visitada por turistas.
História de Santa Sofia
As duas primeiras igrejas (360 e 415)
A primeira Santa Sofia foi inaugurada pelo imperador Constâncio II no ano 360, quando a cidade se chamava Constantinopla em homenagem ao seu pai, Constantino, o Grande. Tinha teto de madeira e pegou fogo em 404, durante os tumultos provocados pelo exílio do patriarca João Crisóstomo. Teodósio II ergueu uma segunda igreja, inaugurada em 415, que teve o mesmo destino em 532, durante a Revolta de Nika contra o imperador Justiniano I.
A grande basílica de Justiniano (532–537)
Justiniano encomendou uma nova basílica a dois sábios da época, o matemático Antêmio de Trales e o geômetra Isidoro de Mileto. As obras começaram em 532 e, em menos de seis anos, em 27 de dezembro de 537, foi inaugurado o templo que chegou até os nossos dias. Segundo a tradição, ao entrar, Justiniano exclamou: “Salomão, eu te superei!”, em referência ao templo de Jerusalém. Durante quase mil anos, foi a maior catedral do mundo.
Os terremotos de 553 e 557 enfraqueceram a primeira cúpula, que desabou em 558. Isidoro, o Jovem, sobrinho de Isidoro de Mileto, reconstruiu-a mais alta e reforçada com nervuras, e o templo foi reinaugurado em 562; em essência, é a cúpula que vemos hoje.

Cruzados, otomanos e museu
Em 1204, durante a Quarta Cruzada, os cruzados saquearam Constantinopla e transformaram Santa Sofia em catedral católica, até que os bizantinos retomaram a cidade em 1261. Em 29 de maio de 1453, o sultão Mehmed II, o Conquistador, tomou Constantinopla e transformou a basílica em mesquita: foram acrescentados um mihrab voltado para Meca e um minbar, com o tempo foram erguidos quatro minaretes, e os mosaicos com figuras foram sendo cobertos com gesso. No século XVI, o grande arquiteto Mimar Sinan reforçou o edifício com contrafortes.
Solimão, o Magnífico, doou duas grandes lâmpadas de bronze para os lados do mihrab, e Murad III mandou trazer de Pérgamo duas enormes urnas de mármore do período helenístico. Entre 1847 e 1849, o sultão Abdülmecid encomendou uma grande restauração aos arquitetos suíços Gaspare e Giuseppe Fossati; dessa época são os oito enormes medalhões de caligrafia, obra de Kazasker Mustafa İzzet Efendi, com os nomes de Alá, Maomé, os quatro primeiros califas e os netos do Profeta, Hasan e Hussein.
Após a proclamação da República, Atatürk decidiu transformá-la em museu, que abriu as portas em 1º de fevereiro de 1935. O gesso foi retirado de muitos mosaicos bizantinos, que voltaram a ser vistos depois de séculos.

De novo mesquita (2020)
Em 10 de julho de 2020, o Conselho de Estado turco anulou o decreto de 1934 que a havia transformado em museu, e Santa Sofia voltou a ser mesquita; a primeira oração de sexta-feira foi celebrada em 24 de julho de 2020. Desde 15 de janeiro de 2024, os turistas estrangeiros entram com ingresso pago, por um acesso próprio, e percorrem a galeria superior, enquanto o térreo fica reservado à oração.
Arquitetura: o que ver dentro de Santa Sofia
O edifício mede cerca de 82 metros de comprimento por 73 de largura, e a sua cúpula central, com uns 31 metros de diâmetro, ergue-se a mais de 55 metros do chão. Ela repousa sobre um anel de 40 janelas que, com a luz, cria a sensação de que flutua no ar, e se apoia em duas grandes semicúpulas e em quatro arcos. Nos pendentes, conservam-se os serafins de seis asas (hexapterygon, em grego).
Justiniano mandou trazer materiais de todo o império, como mármores da ilha de Mármara, da Tessália ou do Egito, e, segundo a tradição, algumas de suas colunas vêm do Templo de Ártemis, em Éfeso. As grandes placas de mármore das paredes foram colocadas de modo que os seus veios formassem figuras simétricas.
O que não perder na galeria superior:
- O mosaico da Déesis (século XIII), com Cristo entre a Virgem e São João Batista, um dos pontos altos da arte bizantina.
- Os mosaicos imperiais da imperatriz Zoé com Constantino IX Monômaco e de João II Comneno com a imperatriz Irene.
- A Virgem com o Menino da abside (século IX), que se vê da galeria; durante as orações, ela é coberta com cortinas.
- Os grafites vikings gravados com runas no parapeito de mármore da galeria.
- A vista da nave, com os medalhões de caligrafia, o mihrab, o minbar e as urnas de Pérgamo.

Como visitar Santa Sofia em 2026: ingresso, horário e regras
Preço do ingresso
Em 2026, os visitantes estrangeiros pagam € 25 pela visita turística à galeria superior, preço em vigor desde janeiro de 2024; crianças pequenas não pagam. A bilheteria fica em frente à Fonte de Ahmed III, ao lado do portão principal do Palácio de Topkapı. O Museum Pass e o Müzekart não são válidos. Para rezar, a entrada no térreo, pela porta dos fiéis, é gratuita.
Horário
Abre todos os dias; a visita turística costuma começar por volta das 9h e termina no fim da tarde, um pouco mais tarde nos meses de verão do hemisfério norte. Ela é interrompida durante as cinco orações diárias e, às sextas-feiras, fecha para os turistas desde meia hora antes até uma hora e meia depois da oração do meio-dia. Antes de ir, confira os horários de oração de Istambul no site oficial da Diyanet (em inglês).
Regras de vestimenta
Como em qualquer mesquita, as mulheres devem cobrir o cabelo e usar roupas que cubram ombros e joelhos, e os homens não podem entrar de bermuda nem de camiseta regata. Na área com tapetes, é preciso tirar os sapatos.
Museu de História e Experiência de Santa Sofia
No antigo edifício do Cadastro, na praça de Sultanahmet, fica o Museu de História e Experiência de Santa Sofia (Ayasofya Tarih ve Deneyim Müzesi), que conta a história do edifício com projeções e recriações digitais. Ele tem ingresso próprio, separado do da galeria.
Dicas e como chegar
Vá logo cedo para evitar filas e reserve de 45 minutos a uma hora para a visita. Com guia, você vai entender muito melhor os mosaicos e a história do edifício. Para chegar, pegue o bonde (tram) T1 até a parada Sultanahmet. Bem perto ficam a Mesquita Azul, o Hipódromo, a Cisterna da Basílica e o Palácio de Topkapı, que descrevemos no nosso guia do que fazer em Istambul.
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Na Olá Turquia, agência local com licença TÜRSAB nº 18552, organizamos o tour por Istambul de meio dia, com Santa Sofia, a Mesquita Azul, o Hipódromo e o Grande Bazar, no seu ritmo. Nos tours por Istambul, normalmente não é preciso pagar adiantado: você paga em dinheiro no dia do passeio. Fale conosco pelo WhatsApp, 24 horas por dia, em português.
Fale conosco no WhatsAppComo se chamam as igrejas na Turquia?
Em turco, igreja se diz kilise (por exemplo, Aya İrini Kilisesi, a igreja de Santa Irene) e mesquita, cami. Embora a grande maioria da população turca seja muçulmana, a Turquia conserva algumas das igrejas mais antigas do cristianismo:
- Santa Irene (Aya İrini), no primeiro pátio do Palácio de Topkapı: uma das poucas igrejas bizantinas de Istambul que nunca foram transformadas em mesquita.
- São Salvador em Chora (Kariye), com mosaicos e afrescos do século XIV; hoje é mesquita.
- Santo Antônio de Pádua, a maior igreja católica de Istambul, na avenida İstiklal.
- As igrejas escavadas na rocha da Capadócia, como as do Museu a Céu Aberto de Göreme, com afrescos bizantinos; falamos delas no nosso guia do que fazer na Capadócia.
- A Casa da Virgem Maria, perto de Éfeso, local de peregrinação para cristãos e muçulmanos.
- As sete igrejas do Apocalipse: Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodiceia, todas no oeste da Turquia.
Perguntas frequentes sobre Santa Sofia
Santa Sofia é uma igreja ou uma mesquita?
Hoje é uma mesquita. Foi construída como igreja (basílica) no século VI, virou mesquita em 1453, foi museu entre 1935 e 2020 e, em julho de 2020, voltou a ser aberta ao culto islâmico.
Quanto custa o ingresso de Santa Sofia em 2026?
Os visitantes estrangeiros pagam € 25 pela visita turística à galeria superior, preço em vigor desde janeiro de 2024. Para rezar, a entrada no térreo é gratuita.
Quem construiu Santa Sofia, e quando?
O edifício atual foi mandado construir pelo imperador bizantino Justiniano I entre 532 e 537, com os arquitetos Antêmio de Trales e Isidoro de Mileto. Antes, houve no mesmo lugar duas igrejas, inauguradas em 360 e 415.
Por que se chama Santa Sofia?
O nome grego, Hagia Sophia, significa “Santa Sabedoria”: ela é dedicada à Sabedoria divina, e não a uma santa chamada Sofia. Em turco, chama-se Ayasofya.
Como se chamam as igrejas na Turquia?
Em turco, igreja se diz kilise e mesquita, cami. Por exemplo, a igreja de Santa Irene, no recinto do Palácio de Topkapı, chama-se Aya İrini Kilisesi.
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Artigo atualizado em novembro de 2026.



